CONVERSAS À JANELA - Adérito Ferreira - GASTRONOMIA

Atualizado: 10 de Jun de 2020



Gastronomia


Hoje, conversámos com o Sr. Adérito Ferreira, que nos fala sobre GASTRONOMIA. 

Adérito Pereira Ferreira nasceu em 1955, na aldeia de Vila Franca – Castro Daire, onde cedo aprendeu os segredos do rio Paiva, onde os moinhos transformavam o grão em farinha. Daí o ditoso rio Paiva e o Moinho de água serem uma marca da sua vida. Após a Escola Primária, na época com exame de admissão à Escola Comercial e Liceu, iniciou o seu primeiro trabalho primeiro em Lisboa, depois no Porto onde estudou Eletricidade e Eletrónica. Aos 20 anos regressa à sua terra natal para desempenhar funções na sua área profissional, com empresa própria em Castro Daire que ainda hoje mantém. Fez formação em jornalismo e foi Director de várias Instituições do concelho de Castro Daire, incluindo a Rádio Limite. A natureza, a fotografia e a etnografia sempre foram a sua paixão. É autor de várias obras, como: À Descoberta do Rio Paiva, Montemuro Gente Flora  Fauna, Socalcos de Xisto... Hoje, a Gastronomia é outra das suas paixões. É sócio fundador e o Grão Mestre da Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro,  de Castro Daire.          

Sr. Adérito, como surgiu a Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro?

Aquando da abertura da infraestrutura A24, deu-se um abalo na gastronomia local, então senti que seria possível dar um contributo para a promoção do território. Convidei cinco castrenses e conjuntamente validamos a criação da Confraria, dando-lhe o nome de um produto com história no território. 

Qual é a vossa atividade? 

Promover o território, com destaque para a gastronomia ligada à História, usos e costumes das suas gentes.

O que costumam fazer para promover a gastronomia castrense?

Os confrades todos os anos percorrem várias regiões do país, em eventos de outras confrarias e certames temáticos, como Feira da Gastronomia de Vila do Conde, Festival do Pão e outras em parceria com a Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas. Dentro do território castrense, realizamos várias degustações para turistas por marcação, workshops para produção de imagem para alguns canais de televisão e outros meios de comunicação, para obras temáticas já publicadas e ações em Escolas Superiores de Hotelaria e Turismo.

Em  parceria com o Município de Castro Daire, participamos em várias feiras de Turismo do País. Dentro do concelho, damos relevo à gastronomia em vários eventos, incluindo a Festa das Colheitas e A Última Rota da Transumância. Todos os anos realizamos um Capítulo, tendo por base um tema como divulgação do património e com apresentação em vídeo. Recentemente editamos uma brochura – Hino à Gastronomia- para assinalar o Dia Nacional da Gastronomia. 

Qual é o património gastronómico que gostaria de destacar na região de Castro Daire?

Deve ser a História a falar. A confeção do Bolo Podre de Castro Daire é transversal a todo o território, mas em dias de romaria, a vitela assada em forno a lenha na padela de barro vermelho com um toque de banha, lembrará que é dia do padroeiro. O cabrito assado também marca a sua presença, mas quando estufado e acompanhado com tosta de bolo podre é prato de Rei.  O rio também vai ao prato com as trutas “das pintinhas”.

Qual é a importância da gastronomia no panorama do património castrense?

A gastronomia é um dos pilares basilares para o desenvolvimento deste território, mas é preciso continuar a promovê-la em paralelo com outros valores.

Qual é o seu desejo para o futuro para que a Gastronomia se torne uma marca do nosso território?

Cada vez mais se teima em fazer uma comida fácil, sem um cunho de arte. É preciso despertar mentes, criando oportunidades por forma a valorizarmos mais o que é nosso. As cozinhas não podem ser apenas um espaço onde se manipulam alimentos, mas sim onde os alimentos devem ser confecionados com arte e o saber fazer.  É importante pôr na mesa o tradicional, o que a terra, o rio e a serra dão, mas não podemos deixar de inovar, num desafio permanente, indo ao encontro de quem nos vem saborear.

Sr. Adérito, muito obrigada por nos ter elucidado quanto  ao lugar da gastronomia no  património castrense, que é central e com enorme potencial. De facto, não podemos falar em cultura, costumes e tradições sem falar da gastronomia, que concentra, de uma forma geral, toda a história e vida de um povo e de um território. No caso concreto de Castro Daire, podemos ilustrar os valores da serra, do rio, das aldeias e das gentes em pratos  típicos e caraterísticos.

Agradecemos também a questão importante que sublinhou na relação entre a gastronomia, a arte e a inovação. Parafraseando Paulo Pires do Vale, "recebe-se a tradição como um campo para a inovação. A cultura, se não se renova, morre: é uma tarefa infinita." Significa isto que não nos podemos cingir ao objeto ou ao conceito tal como ele é ou como ele era. Tal como o tempo e a civilização, também a cultura, nos seus vários exemplos,  tem o seu processo de evolução.  Todos estes campos- a cultura, o tempo e a civilização- devem adaptar-se, acompanhar-se uns aos outros e progredir em conjunto, de forma a dar resposta às necessidades e exigências de uma sociedade em contínua mudança.

Como estamos a falar de gastronomia, é necessário consciencializar para a necessidade e para a importância da inovação, sem perder o cunho tradicional, e para a influência da arte e do saber fazer para marcar a qualidade, a beleza e a diferença que nos distingue dos outros territórios. Aqui fica um agradecimento e uma invocação à criatividade, ao empreendedorismo e à inovação de todos aqueles que se dedicam e fazem vida da Gastronomia no território de Castro Daire. A todos eles e à Confraria do Bolo Podre e Gastronomia do Montemuro deixamos hoje a nossa homenagem!

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